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Jornalistas independentes debatem com estudantes alternativas à grande mídia

 Foto: Gaby Cabral

Por Joyce Moura

A Universidade Anhembi Morumbi, no campus Paulista I, promoveu na quarta-feira pela manhã (10/4) o debate “Jornalismo independente ou alternativo: como sobreviver e fazer a diferença”. Participaram as jornalistas Cíntia Gomes, da Agência Mural, e Paloma Vasconcelos, da Ponte Jornalismo, além do cientista social Lucas Martins, da rede Jornalistas Livres.

Os convidados partilharam suas experiências e explanaram como o campo do jornalismo independente tem atuado e se expandido.  As mídias alternativas representam uma forma de fazer reportagens sem a pressão das grandes mídias e de anunciantes, instituições ou até mesmo grupos políticos.

Sem publicidade ou vínculos com grandes corporações, o trabalho dos repórteres é em grande parte voluntário e recebe ajuda de custo apenas com o necessário para a realização das matérias.

Os veículos independentes se sustentam por meio de assinaturas, doações, financiamento coletivo, editais e fomento público. É raro uma mídia independente usar apenas uma forma de financiamento e a captação de recursos é o principal desafio para garantir sua autonomia editorial.

O engajamento nas redes sociais e o apoio do público, que costuma doar ao se identificar com ou lamentar um ocorrido, mostram-se fundamentais. Foi o que ocorreu no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, quando, segundo Paloma Vasconcelos, houve um aumento significativo de doações.

Linhas editoriais

A primeira a conversar com os estudantes foi a ex-aluna de Jornalismo da Anhembi, Cíntia Gomes, correspondente da Agência Mural desde 2010 e atualmente também assessora de comunicação do coletivo. Ela explica que o projeto surgiu com a necessidade de mostrar o que acontece nas periferias, um tipo de cobertura ignorado pelos veículos tradicionais. Os muralistas, como são chamados os correspondentes de cada comunidade, criam suas matérias a partir do que vivenciam em seu dia a dia.

Na área de Segurança Pública e Direitos Humanos, a Ponte Jornalismo realiza um trabalho de credibilidade e com o objetivo de colaborar na consolidação da democracia brasileira, como deixam claro em seu site oficial. Paloma Vasconcelos é repórter da Ponte nas temáticas LGBTQ+ e gênero. Ela conta que foi o seu TCC, um livro-reportagem intitulado “Transresistência – histórias de pessoas trans no mercado formal de trabalho”, que a fez chegar até o veículo. O foco desse jornalismo é não depender das fontes oficiais e mostrar o lado humano das notícias, e se tornou referência nesse meio.

Já a rede Jornalistas Livres surgiu durante as manifestações de 2015. Com o apoio de ativistas e integrantes de coletivos, não necessariamente jornalistas, o intuito era fazer a cobertura dos protestos, para entender quem estava ali e o que reivindicavam. Desde então, o site cresceu cobrindo eventos do mesmo tipo, sempre com o objetivo de ser um contraponto às mídias tradicionais e restaurar a confiança no jornalismo a partir do combate ao desrespeito dos direitos humanos e sociais.