Por Vasco Lenci

Orientação: Prof. Me. Alexandre Possendoro

Se sobrou um dinheirinho no bolso e você quer gastar ou simplesmente prefere passar uma tarde agradável pelas ruas de São Paulo seu lugar pode ser nas tradicionais feiras que ocorrem ao ar livre na cidade. São eventos com entrada gratuita, em lugares pitorescos e que oferecem uma variedade de produtos, dos convencionais aos inusitados e raros. Mas que, atualmente, sofrem com os reflexos da atual crise econômica do país.

A feira da praça Benedito Calixto, por exemplo, funciona há 30 anos no coração de Pinheiros, todos os sábados, das 14h30 às 18h30. O lugar oferece desde produtos inusitados, antiguidades, CDs e discos de vinil até armações de óculos a preços acessíveis, brinquedos antigos, entre outros.

Para quem curte música, o lugar oferece programação musical, como o chorinho, que ocorre ao ar livre na praça, comandado pelo grupo “Canário e seu Regional”. No final da tarde, tem-se a opção de um coral. Para matar, a fome há os petiscos, entre eles acarajé, pastel, salgados e tapioca.

Ana Rosa dos Santos, de 66 anos, trabalha na feira há aproximadamente 25 anos. E hoje tem uma barraca de antiguidades. “Eu sempre gostei de antiguidades, até que um dia tive a ideia de trabalhar com isso.”

Ela reclama da queda do movimento nos últimos anos. “Você precisava ver a feira algum tempo atrás. Aqui ficava lotado de gente, muito mais do que hoje”, resumiu.

Para Marcelo Fiuza, 52 anos, a crise trouxe uma diminuição de 70% nas vendas. Ele trabalha na feira há 27 anos e disse que já viveu outras crises, mas nunca como a atual. “Nosso país foi saqueado, e isso repercutiu no povão. “Mas temos que ter esperança”, resumiu.

Mais pessimista está Luís Costa, de 55 anos, que também tem uma barraca de antiguidades. Com uma queda de 50% no movimento, ele acredita que as pessoas cortam primeiro o supérfluo. Por isso, a diminuição no movimento da feira.

Manir Boasi, de 78 anos, outro dos feirantes, também reclama da crise. Ele conta que o movimento caiu 70%. Apesar disso, não tem medo de perder o ponto. Para ele, o movimento começou a melhorar recentemente. Biasi é otimista em relação ao futuro.

 

No Masp

Já na famosa feira de antiguidades do vão livre do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), o perfil muda um pouco. Funciona aos domingos, das 9h às 16h, na Avenida Paulista. Lá o apelo é menos variado. É um lugar voltado para as antiguidades, sempre com um preço mais acessível do que o comércio em geral.

Maria Elisa Comparotto, de 73 anos, que trabalha no local desde 2002, também reclama da crise e do fechamento da Paulista aos domingos, o que, segundo ela, fez diminuir as vendas.

“A pior coisa que nos aconteceu foi fecharem a Paulista no domingo. Por que o perfil das pessoas que compra aqui é outro. Nossos clientes paravam com o carro e gastavam. Isso não ocorre mais.”

Mas para Etel Antunes, de 70 anos, que também trabalha no local, embora exista o problema da crise, o fechamento da Paulista não trouxe problema algum. O movimento para ela já está melhorando.

Para Manuel de Paiva, 82 anos e 35 anos de feira, o fechamento da avenida trouxe, sim, problemas, porque as pessoas que faziam as compras mais caras eram as que vinham de carro. Porém, o que ele acha pior para as vendas é a atual crise. “As pessoas não querem gastar dinheiro.”

 

Liberdade

Já a feira da Liberdade, que ocorre próxima à estação de metrô de mesmo nome, funciona há mais de 40 anos, aos sábados e domingos, das 8h às 18h. Lá, o apelo é o sotaque oriental. Com mais variedade que as outras feiras, os produtos das colônias japonesa e chinesa dão o tom. Pode-se encontrar também carteiras de couro a preços módicos, os mais variados enfeites, marcadores de livros, bolsas, entre outros. A comida é típica: de um espeto de camarões a R$ 5,00 até um delicioso yakisoba por R$18,00, além de outros petiscos.

Marilza Shingai tem 56 anos, é descendente de japonês de segunda geração. Trabalha na feira há mais de 15 anos. Para ela, o movimento caiu pela metade nos últimos tempos, mas vem melhorando principalmente de dois meses para cá. Ela diz que não se pode perder a esperança.

Há mais de 40 anos na feira, Raimunda Pereira Uchôa, de 77 anos é descendente de holandeses. Ela também reclama do movimento. “Ontem, eu vim para cá e não vendi uma peça sequer.”

Jacinta Lourenço, sua filha, também põe culpa na atual crise, mas ambas acham que vai melhorar. Como se vê, as feiras seguem como podem, sempre com a esperança de um tempo melhor.